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Riscos da dessecação em trigo

Riscos da dessecação em trigo


Utilizada com objetivo de encurtar o tempo de exposição da cultura no campo, manejar daninhas e antecipar o próximo cultivo, a dessecação de trigo na pré colheita é uma prática não recomendada, que pode acarretar em inúmeros prejuízos ao produtor.

Utilizada com objetivo de encurtar o tempo de exposição da cultura no campo, manejar daninhas e antecipar o próximo cultivo, a dessecação de trigo na pré colheita é uma prática não recomendada, que pode acarretar em inúmeros prejuízos ao produtor.

A cultura do trigo está altamente consolidada no Brasil. Apresenta maiores áreas de cultivo nas regiões sudeste, centro-oeste e principalmente na região sul, que representa 90% da produção do país. Apesar da alta produção do grão, o país não consegue abastecer totalmente o mercado interno, havendo a necessidade de, entre outras coisas, melhoria no estabelecimento das lavouras. Para garantir um estande de lavoura satisfatório, é imprescindível que a semente utilizada tenha alta qualidade, sendo que para sua obtenção é necessário o acompanhamento do campo de produção, efetuar o manejo técnico da lavoura. Também é importante no momento da colheita efetuar essa operação de modo que sejam preservadas sua qualidade sanitária e fisiológica.

Muitas vezes ocorrem atrasos na colheita causados por chuvas ou dias nublados com alta umidade, sendo que estas oscilações climáticas entre as fases de maturação e colheita do trigo, geralmente provocam perdas de suas qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias, além da demora no plantio da próxima cultura a ser instalada.

Como uma ferramenta para a antecipação da colheita, a dessecação do trigo na fase de maturação vem sendo utilizada. Esta prática, embora não recomendada, permite a redução do tempo de exposição da cultura no campo, uniformidade da maturação e o manejo de plantas invasoras de entressafra, possibilitando assim a antecipação da colheita com aumento da janela entre a colheita e o plantio da próxima cultura de verão, que será implantada na primavera, época muito chuvosa e que dificulta o tráfego de  maquinários. No entanto, a utilização inadequada desta técnica ou o modo de ação inadequado do produto empregado pode ocasionar perdas na qualidade das sementes, além da possibilidade de gerar resíduo do produto, inviabilizando, dessa maneira, a utilização tanto de sementes como de grãos.

Para a cultura do trigo, não existe, até o presente momento, produto recomendado e registrado para a prática de dessecação em pré-colheita para a antecipação ou uniformização da colheita, seja para produção de sementes ou de grãos.

Dessa forma, são necessários estudos para definir os parâmetros de aplicação (dose, volume de calda, adjuvantes e momento de aplicação) e de parâmetros de toxicidade para humanos (resíduos, período de carência, ingestão diária, entre outros). Considerando os poucos relatos do emprego de dessecantes em pré-colheita para este cereal, pesquisas com este enfoque são necessárias para preencher esta lacuna.

Os fungos são os principais patógenos do trigo, podendo parasitar todos os órgãos da planta, incluindo sementes (principais meios de disseminação de microrganismos). A diminuição de patógenos existentes nas sementes é uma prática de grande valia, pois podem causar diminuição significativa no vigor e germinação. Presentes desde a germinação podem causar lesões já na fase de plântula, diminuindo a qualidade de estande e na fase reprodutiva da cultura, quando o trigo está mais suscetível ao ataque de fungos,  estarão disseminados na lavoura causando uma maior pressão.

Com o propósito de avaliar se a dessecação altera a incidência de fungos nas sementes, foram testados dois tipos de herbicidas (glifosato e glufosinato de amônio) em três estádios reprodutivos: Grão leitoso (11.1); Conteúdo de grão macio e úmido (11.2) e Grão duro (11.3) no cultivar ‘Quartzo’.

Análise dos grãos poderão detectar resíduos de herbicidas, o que pode levar ao embargo da safra

Para a análise sanitária das sementes foi empregado o método do papel filtro (Blotter test), com restritor hídrico (KCL/-1,0 MPa), utilizando-se 250 sementes de cada tratamento, em oito repetições, incubadas em BOD por sete dias a temperatura de 25 ºC e fotoperíodo de 12 horas.

Das sementes analisadas, 70% apresentaram incidência de algum tipo de fungo, sendo observados agentes causais dos seguintes problemas: Aspergillus sp. e Penicillium sp. (Deterioração de sementes); Alternaria sp. (Ponta preta em sementes); Bipolaris sp. (Helmintosporiose); Epicoccum sp.; Phoma sp. (Canela preta); Cladosporium sp. (Mancha em sementes); Fusarium sp. (Giberela); Colletotrichum sp. (Antracnose); Drechslera sp. (Mancha Amarela); e Rhizopus sp. (Podridão de sementes).

Os fungos que apresentaram maior incidência foram representados em forma de gráficos (Figura 1), nos quais é possível observar, com maior clareza a diferença quanto a ocorrência dos fungos em sementes que passaram por dessecamento em diferentes épocas.

Figura 1. Incidência de Alternaria sp., Fusarium sp. Em sementes de trigo, cultivar Quartzo, submetidos a diferentes épocas de aplicação de herbicidas dessecantes. Estádios: 11.1(grão leitoso); 11.2(conteúdo do grão macio e úmido/ massa verde) e 11.3 (grão duro/ massa dura).a= glifosato; b= glufosinato de amônio; c= testemunha.

Sementes provenientes da época 11.1 (grão leitoso) tratadas com glifosato apresentaram maior incidência de Alternaria sp. Por outro lado, as sementes em que foi aplicado glufosinato de amônio apresentaram menor incidência na mesma época. Para a época 11.2, a incidência deste fungo foi muito semelhante. Já para a terceira e última época avaliada, o fungo Alternaria sp. foi o que teve a maior frequência no tratamento que utilizou como dessecante o glufosinato de amônio.

O fungo Alternaria sp. é considerado um dos agentes causais da ponta preta em sementes de trigo, sendo a semente uma importante fonte de disseminação deste patógeno. No armazenamento de sementes infectadas os fungos podem permanecer viáveis no período de colheita até a próxima semeadura, sendo assim um importante meio de disseminação.

Com relação ao fungo Fusarium sp., agente causal da giberela, observou-se maior incidência nas épocas 11.2 e 11.3 para os dois herbicidas, a alta incidência deste fungo nas duas últimas épocas de dessecação, antes da maturação fisiológica do trigo. Isso pode ser atribuído ao fato de que este fungo está associado a sementes que sofreram atraso de colheita ou deterioração por umidade no campo. A giberela causa danos como abortamento de flores, formação de grãos chochos, enrugados, ásperos, de coloração rósea a esbranquiçada que podem ser perdidos em grande parte na operação de trilha. As perdas pela ocorrência de giberela podem ultrapassar 50% da produção, e, além da diminuição na produtividade, os grãos infectados tendem a apresentar micotoxinas (sustâncias tóxicas produzidas por fungos), que podem ser tóxicas quando ingeridas por humanos e animais.

Para os demais fungos observados, não houve diferença entre os tratamentos e épocas de aplicação.

Entretanto, a prática da dessecação em trigo não é recomendada, pois pode acarretar contaminação das sementes.  Análises dos grãos feitas nos moinhos onde o cereal vai ser moído poderão detectar resíduos de herbicidas, o que pode levar ao embargo de toda a safra de uma cooperativa ou empresa por contaminação de agroquímico. Mesmo que o trigo não atenda ao padrão exigido pela indústria e seja destinado para ração animal, por exemplo, a dessecação não poderia ser feita, pois resíduos de herbicidas nos grãos poderão afetar a saúde animal.

Diante destes resultados, deve-se salientar que o tratamento de sementes é indispensável, pois tem como principais funções diminuir os fungos patogênicos existentes na semente, diminuir a fonte primária de inóculo, reduzir o número de aplicações de fungicidas na parte aérea, manter as propriedades fisiológicas da semente, proporcionando maior poder germinativo com uma sanidade inicial de plantas superior, que resultará em uma lavoura com alto potencial produtivo.

Benefícios e perdas causados pela dessecação 

Prós:

-Antecipação da colheita;

-Diminuição do tempo de exposição da cultura a campo;

-Manejo de plantas daninhas;

-Antecipação do próximo cultivo.

Contras:

-Redução da produtividade pela interrupção do processo fisiológico;

-Baixa germinação e vigor da semente;

-Contaminação do grão pelo herbicida;

-Intoxicação humana e animal;

-Impossibilidade de comercialização

 

Douglas Peron Gheller, Andressa Calderan Bisognin, Vanessa Graciela Kirsch, Stela Maris Kulczynski, Carla Werner

UFSM

Artigo publicado na edição 214 da Cultivar Grandes Culturas.

Fonte: https://www.grupocultivar.com.br/

18/09/2020

 

 

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