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Período de transição: fase de juntar pontos

Período de transição: fase de juntar pontos


Diversos são os fatores que contribuem para o sucesso no período de transição de uma vaca leiteira. Para os animais se adaptarem às várias mudanças dessa fase é essencial trabalhar bem as 10 dicas destacadas neste artigo.

O período de transição, tipicamente definido como o intervalo entre as três semanas pré-parto e as três semanas após a parição, é uma fase crítica e determinante para a saúde da vaca e seu retorno econômico durante toda a lactação. Nesse estágio, muitas alterações metabólicas, fisiológicas e anatômicas ocorrem na fêmea parturiente, favorecendo a ocorrência de diversos distúrbios patológicos que podem, além de prejudicar a eficiência produtiva da futura lactação, reduzir o desempenho reprodutivo e aumentar a taxa de descarte.

1° ponto - ter dois lotes de vacas secas 

 

O período seco dura tipicamente 60 dias. Toda fazenda leiteira, independente do seu tamanho e do sistema de produção adotado, deve ter dois lotes de vacas secas, sendo o lote 1 composto por aquelas que tiveram secagem recente e o lote 2 com animais no pré-parto. O ideal é que as vacas secas do lote 1 sejam transferidas para o lote pré-parto 25 a 30 dias antes da data prevista para a parição.

Manter todas as vacas secas em um único lote não é correto. As fêmeas no pré-parto têm exigências nutricionais muito distintas dos animais que tiveram a secagem recente. Além disso, caso a fazenda adote dietas acidogênicas, estas devem  ser fornecidas somente às vacas no pré-parto. Fornecer dietas acidogênicas para todas as vacas desde a secagem não é recomendável, porque trata-se de uma prática de custo elevado e que quando fornecida por um período muito longo (> 4 semanas) piora o desempenho dos animais na lactação que se aproxima.

2° ponto - Vacas secas também devem ser resfriadas 

 

Segundo dados de pesquisas conduzidas na Universidade da Flórida (EUA), resfriar as vacas secas e animais do lote pré-parto é tão ou mais importante que resfriar as fêmeas lactantes. As pesquisas mostraram que animais resfriados durante o período seco produziram 5kg/dia a mais de leite do que vacas que sofreram estresse calórico nessa fase, mesmo quando todas foram resfriadas após o parto, no restante da lactação. Esses trabalhos também sugerem que é importante resfriar as vacas durante todo o período seco, não basta adotar essa estratégia apenas no pré-parto.

Mais recentemente, resultados ainda mais impressionantes foram encontrados pelos pesquisadores da Flórida: bezerras que no útero das suas mães foram expostas ao estresse calórico no final da gestação, quando se tornaram lactantes à idade adulta, também produziram menos leite do que vacas que quando bezerras foram resfriadas. Fêmeas que no útero de suas mães foram impactadas pelo estresse calórico também tiveram uma redução de quase 10 meses na sua sobrevivência. Em resumo, filhas de vacas que sofreram estresse calórico deixam  o rebanho antes e produzem menos leite.

Muitos produtores e técnicos não entendem porque em alguns anos, as produções de leite demoram tanto  para subir no fim do verão e começo do outono (março, abril e maio). Na minha opinião, um dos fatores, e talvez o mais importante, é o fato que as vacas que parem no outono atravessaram o período seco em pleno verão, expostas as situações mais críticas de estresse calórico. Isto foi particularmente verdadeiro neste ano de 2019.  

3° ponto - evitar que as vacas percam escore no pré-parto 

 

Há um consenso que as vacas deveriam parir com escore de condição corporal (ECC) muito próximo ao ideal (3,0-3,5). Um trabalho publicado por pesquisadores da Universidade da Flórida procurou avaliar a associação entre a mudança de ECC no pré-parto sobre a saúde e desempenho produtivo de vacas Holandesas no pós-parto. Os autores demonstraram que vacas que ganharam ou mantiveram o escore durante o período seco foram mais saudáveis do que aquelas que perderam ECC.

É importante salientar que o ganho  de escore obtido pelos animais desse trabalho no período seco foi de pequena magnitude, no sentido de ajustar o escore em torno de 3,5 das vacas que se encontravam em condição corpórea relativamente baixa no momento da secagem. Dessa forma este estudo demonstrou que animais secos com escore inferior ao ideal podem se beneficiar de pequenos ajustes na condição corporal no momento do parto, através de ganhos modestos, que levam a menores riscos de doenças e melhor resposta produtiva e reprodutiva.

No entanto quando as vacas são secas acima  do escore ideal, permitir a perda de peso para que o animal se aproxime do escore de 3,5 parece ser uma estratégia errônea, uma vez que a perda de ECC durante o período seco foi associada com desordens e redução do desempenho produtivo e reprodutivo após o parto. Esses resultados são importantes, pois reforçam a percepção de que uma lactação bem-sucedida começa antes e durante o período seco, e ainda que a possibilidade de ajuste do escore no período seco é limitada no sentido de promover pequeno ganho  de condição corporal nessa fase.

O fator que mais explica a mudança no ECC é exatamente como o animal está no momento da secagem. Vacas que secam gordas têm maior tendência a perderem escore e se aproximarem da condição ideal ao parto. Por outro lado, fêmeas que secam magras demais têm maior tendência de ganharem escore e novamente se aproximarem do ECC ideal à parição. É como se vacas da raça Holandesa fossem geneticamente programadas para convergirem para um ECC de 3,25-3,50 ao parto. Assim, entre os dois extremos possíveis (uma vaca seca magra demais ou uma vaca seca gorda demais), a pior opção é uma fêmea secar muito gorda.

Como sugestões para prevenir que as vacas leiteiras cheguem com elevado ECC à secagem, recomendamos tentar reeprenhar as vacas o mais rápido possível após o parto e que o rebanho receba dietas específicas de acordo com a produção durante a lactação (dietas únicas engordam os animais). É essencial estar atento aos teores de amido da dieta que devem  ser mais baixos ou conservadores às vacas de baixa produção e aquelas no terço final de lactação.

4° ponto - Dietas acidogênicas no pré-parto funcionam  

 

Até alguns anos atrás, muitos questionavam a eficácia das dietas acidogênicas no pré-parto, mas hoje este cenário mudou. São raras as boas fazendas brasileiras que não adotam este conceito. E se mudaram, é porque a estratégia funciona. Alguns produtores ainda tentam justificar a não inclusão de sais ou rações aniônicas no pré-parto por relatarem uma incidência muito baixa de hipocalcemia clínica ou febre do leite. Nesse ponto, vale destacar que a principal preocupação ao recomendarmos dietas acidogênicas é reduzir hipocalcemia subclínica e nesse caso, 30 a 50% das vacas são acometidas por esta desordem.

Recomendações recentes de Diferença Catiônica- Aniônica da Dieta (DCAD) no pré-parto variam de -5 a -15 mEq/100g de MS, níveis que normalmente são alcançados aliando duas estratégias: evitando forragens ricas em potássio (K) nesse período e suplementando com um sal aniônico ou pré-parto, preferencialmente rico em cloretos, os quais acidificam  melhor que os sulfatos. É importante frisar que a adição de um sal aniônico na dieta pré-parto não garante a ocorrência de uma DCAD negativa e, consequentemente, uma leve acidose metabólica. Mais importante que adicionar um sal pré-parto é verificar a DCAD da dieta e, principalmente, evitar que volumosos com altos teores de potássio sejam fornecidos às vacas nas últimas semanas que antecedem o parto.

Para calcular o custo da inclusão de um sal aniônico  na dieta de vacas secas nas últimas três semanas que antecedem o parto, assumindo a suplementação de 300 g/ vaca/dia e a cotação de um bom sal aniônico  no mercado brasileiro a R$7,50/kg (agosto de 2019), estimamos em R$2,25/vaca/dia o custo desta suplementação. Embora o custo diário pareça alto, salientamos que o fornecimento será exclusivamente pelo período de 21 dias, redundando num custo total da suplementação ao redor de R$47,00/ vaca/ano. Isso explica a atrativa relação benefício: custo (10:1) relatada por muitos consultores.

Dietas aniônicas diminuem o pH sanguíneo e consequentemente o pH urinário. Sendo assim, o monitoramento do pH urinário é um método eficiente para determinação da resposta do animal frente à dieta acidogênica fornecida. Metas de pH urinário com adequada suplementação de dietas aniônicas no pré-parto: 5,5-6,5 em Holandesas e 5,0-6,0 em vacas Jersey.

5° ponto - Hipocalcemia é um fator de risco para outras doenças, mas nem toda hipocalcemia é igual 

 

Baixos níveis de cálcio (Ca) sanguíneo no pós-parto imediato causam redução na ingestão de alimentos, menor motilidade ruminal e intestinal, decréscimo no volume de leite produzido e aumento na suscetibilidade de outras doenças metabólicas e infecciosas. Vacas com hipocalcemia possuem maior risco de serem acometidas por outras importantes enfermidades, incluindo cetose, mastite, retenção de placenta, deslocamento de abomaso e prolapso uterino.

Na hipocalcemia subclínica (HSC), as vacas apresentam baixa concentração de cálcio no sangue, mas sem sinais clínicos. O valor do Ca no sangue de uma fêmea adulta periparturiente é mantido em torno de 8,5-10 mg/dL (normocalcêmica), e quando essa concentração cai para ≤8,0 a fêmea é classificada como hipocalcêmica subclínica e ≤ 5,0 mg/dL hipocalcemia clínica. 

A incidência de HSC em bons rebanhos paranaenses é bastante alta. Mais de 50% das vacas recém-paridas apresentam esse quadro, mas esta incidência pode chegar a 70-80% em rebanhos sob maior risco. O que sempre nos intrigou é que muitas vacas categorizadas como hipocalcêmicas no dia seguinte ao parto, aparentam estar bem, não ficam doentes e inclusive produzem mais leite do que as vacas normocalcêmicas. É como se a hipocalcemia fosse um evento corriqueiro e fisiológico da vaca recém-parida.

Mais recentemente, no último Encontro Anual ADSA em Cincinnati (EUA), a pesquisadora Jessica McArt da Universidade de Cornell, compartilhou a seguinte ideia; vacas hipocalcêmicas no 1° e no 4° dia (HSC “permanente”) e vacas normocalcêmicas no 1° dia mas hipocalcêmicas no 4° dia (HSC “atrasada”) são vacas sob maior enfermidades, produzem menos leite e têm pior reconcepção. Por outro lado, vacas hipocalcêmicas “transitórias”, com baixas concentrações de Ca no 1° dia pós-parto, mas com calcemia restabelecida nos dias

6° ponto - Vacas recém paridas merecem uma dieta específica. Mas, e se isso não for possível?

 

Na impossibilidade de preparar dietas específicas para vacas recém-paridas, é mais aceitável fornecer a elas a dieta das vacas de alta produção do que a dieta das vacas de baixa produção. Ainda assim essa estratégia é uma prática demasiadamente conservadora, pois ainda que seja a nutrição destinada às vacas mais produtivas, a dieta está muito aquém das exigências de fêmeas “novas” no leite, em particular de energia, de proteína metabolizável e de aminoácidos essenciais, além  de fibra fisicamente efetiva. Outra limitação é que essas dietas de alto amido e/ou com alta fermentabilidade ruminal podem ser adequadas às vacas de alta produção, pois maximizam desempenho produtivo, mas não parecem ser as mais indicadas às vacas recém-paridas, pois podem provocar queda no consumo de matéria seca, efeito completamente indesejável nesse período. Com a crescente e desejável expansão do milho grão úmido e milho reidratado nas dietas de vacas leiteiras brasileiras, esta ressalva deve ser conhecida e salientada.

Muitos ainda recomendam acomodar as vacas recém-paridas nos lotes de baixa produção, como precaução de acidose e deslocamento de abomaso, mas reiteramos que esta não é a melhor estratégia.

7° ponto - Balanço energético negativo (BEN) no pós-parto é fisiológico , mas atenção...

 

A capacidade da vaca em consumir energia suficiente durante esse período é um dos mais importantes contribuintes para o sucesso ou falha da lactação. A adaptação ao balanço energético negativo  durante o início da lactação proporciona saúde e produtividade, caso contrário os animais podem apresentar múltiplos problemas como consequência, incluindo os clínicos e a diminuição da produção leiteira. 

Após sumarizar 26 estudos sobre o tema, um levantamento concluiu  que o balanço energético positivo foi alcançado aproximadamente aos 50 dias de lactação e o balanço energético mínimo ocorreu aproximadamente aos 11 dias pós-parto. Nosso grupo de pesquisa estimou que vacas leiteiras de um grande rebanho no sudoeste do Paraná, perderam em média  49 kg (ou 7,5% do peso corporal) no pós-parto, e o balanço energético negativo durou aproximadamente até os 35 dias em leite.

8° ponto - Monitorar cetose subclínica 

 

Como o beta-hidroxibutirato (BHB) é resultado do metabolismo dos ácidos graxos não esterificados (AGNE) no fígado, o momento adequado para fazer a avaliação de BHB é nos primeiros dias após o parto, já que o pico de AGNE é justamente no dia do parto. Os protocolos de mensuração podem variar, mas é aconselhável realizar pelo menos duas medições entre o 5° e o 10° dia pós-parto, para identificar com mais precisão a incidência real de cetose no rebanho. Se uma terceira medição puder ser realizada, parece que uma coleta entre o 10° e o 15° dia após a parição seria aconselhável. Para cetose subclínica considera-se valores de BHB ≥ 1,20 mmol/L e cetose clínica BHB ≥ 2,90 mmol/L, ambos associados com queda no consumo e redução da produção de leite.

A avaliação de BHB tem sido aplicada corriqueiramente nas propriedades leiteiras mais especializadas. Além de ser possível avaliar de diferentes formas (urina, sangue, leite), existem testes práticos que podem ser realizados “ao pé da vaca” com o resultado em poucos segundos, como é o caso das tiras reagentes para corpos cetônicos que são utilizadas em dispositivos portáteis.

As taxas de incidência de cetose em rebanhos leiteiros especializados brasileiros estão muito próximas dos relatos de outros países: 25 a 35% em média,  na maioria dos levantamentos conduzidos por nosso Grupo no Estado do Paraná. Mais recentemente, constatamos que vacas com concentração mediana de BHB (0,7 a 1,2 mmol/L) produzem mais leite sem sacrifício de saúde e reprodução, que vacas com baixa concentração de BHB (abaixo de 0,7mmol/L). Em outras palavras, parece que uma ligeira ou moderada cetose “faz parte do jogo”, particularmente nas vacas mais produtivas.

9° ponto - Vacas recém paridas também apresentam balanço proteico negativo

 

Da mesma forma que o consumo de energia, a ingestão de proteína durante as três primeiras semanas pós-parto também pode ser insuficiente para atender as exigências para produção de leite devido à baixa ingestão. A vaca responde a isso mobilizando reservas corporais. Entretanto, de maneira oposta à energia, a densidade proteica da dieta pode ser aumentada para reduzir o estresse metabólico associado com a mobilização de reservas.

Infelizmente, a literatura é escassa na definição de recomendações proteicas para vacas recém-paridas. Apesar da escassez de dados de pesquisa examinando os efeitos da nutrição proteica durante as três primeiras semanas pós-parto, há quase que um consenso que não deveríamos limitar a oferta de proteína metabolizável (PM) e aminoácidos durante esse período.

O NRC (2001) permite a estimativa do consumo de MS e balanço PM nessa fase. Assumindo que estas estimativas estão corretas, dietas típicas não fornecem quantidades suficientes de PM.  À medida que os dias pós-parto avançam, as fêmeas gradualmente atingem balanço positivo de proteína metabolizável devido ao aumento no consumo de proteína. Mas antes desse balanço positivo ser alcançado, vacas permanecerão em balanço negativo de PM e a probabilidade é maior nos níveis mais altos de produção. Consequentemente a vaca irá mobilizar proteína para dar suporte à lactação ou a produção de leite será limitada em patamares mais modestos. 

Muitos rebanhos paranaenses tecnificados estão adotando com sucesso altos níveis proteicos no pós-parto (17-18%PB), bem como a inclusão de boas fontes de metionina protegida.

Além da metionina protegida, outros aditivos alimentares que tipicamente apresentam relações custo x benefício  favoráveis nesse período são: monensina, colina, cromo orgânico e leveduras

10° ponto - Toda atenção e conforto às vacas recém-paridas 

 

Para cada 10 vacas que parem, 3 a 5 ficam doentes. Para ganhar em produtividade e rentabilidade, mas também para melhorar a percepção do mercado consumidor sobre a pecuária leiteira, não podemos aceitar passivamente esses números. A avaliação clínica diária das vacas durante os primeiros 10 dias após o parto é uma excelente forma de monitorar a saúde dos animais, diagnosticando as doenças que muitas vezes se apresentam na forma subclínica , afetando além da saúde, a fertilidade e a capacidade produtiva. 

Separar as fêmeas recém-paridas num lote específico, com pouco adensamento, ampla disponibilidade de cocho e camas, e monitorá-las diariamente, pelo menos nos primeiros 10 dias (o ideal seria 3-4 semanas), também parece ser uma recomendação relevante. Uma preocupação tão ou mais importante que a disponibilidade de camas é o espaçamento de cocho, para que todas as fêmeas, e em particular as novilhas e as vacas submissas, tenham acesso irrestrito ao alimento. Deveríamos assegurar um mínimo de 80 cm (ideal = 100 cm) de cocho por fêmea  deste lote.

A entrada e saída de vacas do seu lote ou grupo é quase sempre traumática, principalmente para as novilhas, primíparas e vacas submissas. Parece que as 48-72h seguintes à entrada no novo grupo são as mais desafiadoras. Pesquisadores estimaram que no dia do reagrupamento vacas leiteiras gastam menos tempo no cocho, especialmente nas horas seguintes à mudança de lote, além de permanecerem menos tempo deitadas e a produção de leite ser reduzida em quase 4 litros diários. Embora reconheçamos que muitas dessas mudanças são inevitáveis, deveríamos evitar mudar uma única vaca de cada vez. Há menos estresse “social” quando 3-5 vacas ou novilhas são movidas em grupo.

Investimentos em programas de transição de rebanhos leiteiros, seja em nutrição, manejo, instalações, conforto animal ou qualificação da mão de obra, têm alta relação custo x benefício. Não devem ser encarados como um luxo desnecessário, um excesso de zelo, ou algo unicamente relevante em rebanhos grandes e tecnificados. Toda e qualquer melhoria na fase periparturiente de vacas leiteiras têm grande impacto no aumento da produtividade, na melhoria da eficiência reprodutiva, na diminuição do descarte involuntário e no incremento da lucratividade dos rebanhos.

fundacaoroge.com.br 29/11/2021

 

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