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Embrapa: Leite carbono neutro é objetivo factível

Embrapa: Leite carbono neutro é objetivo factível


O leite carbono neutro é um objetivo factível. Foi o que demonstraram os representantes das unidades da Embrapa que pesquisam a pecuária leiteira durante o workshop “Neutralidade do carbono e sustentabilidade no setor lácteo”, promovido pela Associação Brasileira de Lácteos (Viva Lácteos), na última quarta-feira (8).

“Os solos são o maior sumidouro terrestre de carbono, e a agropecuária, além de ser parte do problema, é também parte da solução dos problemas climáticos”, destacou o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, ao falar sobre o impacto do metano oriundo da agropecuária no aquecimento global.

Leia, abaixo, a íntegra da nota da Embrapa Gado de Leite

Indústrias de lácteos debatem neutralidade de carbono no setor

“A Associação Brasileira de Lácteos (Viva Lácteos), que representa a indústria de leite e derivados e reúne 38 dos principais fabricantes e associações do setor no Brasil, realizou nesta quarta-feira (8) o workshop “Neutralidade do carbono e sustentabilidade no setor lácteo”. O evento, que ocorreu de forma hibrida (presencial e a distância) teve a participação de gestores e pesquisadores de duas unidades da Embrapa: Embrapa Gado de Leite e Embrapa pecuária Sudeste.

As apresentações tiveram início com a exposição do chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt, que discutiu o impacto do metano oriundo da agropecuária no aquecimento global. O chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste lembrou que a COP 26 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em novembro na cidade Glasgow, na Escócia, definiu como meta a redução de 30% das emissões de metano (CH4) em relação a 2020. O CH4 é o gás entérico produzido pela ruminação dos bovinos e outros animais ruminantes. Sua produção se dá também no manejo de dejetos animais. Fora da pecuária, o gás metano é emitido por aterros sanitários e lixões.

Segundo Berndt, 16% das emissões de gases de efeito estufa tem origem na produção de metano. No entanto, apesar de 1/3 das emissões brasileiras serem oriundas da agropecuária, ele afirmou que o setor possui condições de cumprir o acordo e que pode, inclusive, prestar serviços ambientais na luta contra a emissão de gases que provocam o aquecimento global. “Os solos são o maior sumidouro terrestre de carbono, e a agropecuária, além de ser parte do problema, é também parte da solução dos problemas climáticos”, diz. Para ele, intensificar os sistemas produtivos, focando na eficiência da vaca, contribui reduzir a intensidade da emissão de CH4. “O nível de intensificação depende de outras variáveis, mas isso só se consegue com a adoção de novas tecnologias”, conclui.

O chefe-adjunto de Transferência de Tecnologias da Embrapa Pecuária Sudeste, André Novo, segundo a se apresentar, disse que para reduzir o impacto das emissões de gases na atmosfera é necessário traduzir a ciência em inovação no campo, o que depende das ações de transferência de tecnologias ao produtor. Ele ressaltou a importância da parceria ente a indústria e o poder público nesta empreitada citando ações que já ocorrem em outras partes do mundo. A fazenda experimental da Universidade de Wageningen, na Holanda, por exemplo, tem ações efetivas de sustentabilidade ambiental na produção de leite, conforme expôs André Novo.

Estratégias de manejo

Fechando as exposições científicas do workshop, Luiz Gustavo Pereira, pesquisador da Embrapa Gado de Leite, falou por teleconferência de Madson, nos Estados Unidos, onde está atuando como cientista visitante na Universidade de Wisconsin. Pereira destacou a importância da iniciativa privada se inserir nos debates sobre mudanças climáticas e expos as bases conceituais e estratégias de manejo para reduzir as emissões de carbono da pecuária de leite: “O mundo todo está se mobilizando na descarbonização da economia e esse debate sobre carbono neutro, promovido pela indústria é uma iniciativa é bastante oportuno”.

O pesquisador apresentou alguns exemplos que já ocorrem nos Estados Unidos, onde fazendas de leite estão aproveitando espaços ociosos para produzir energia eólica. Pereira também destacou que o metano entérico representa 5% das emissões antropogênicas de gases de efeito estufa e que o metano é um gás de vida curta, persistindo na atmosfera por apenas 12 anos. Realçando a importância da pecuária bovina na produção de alimentos, o pesquisador explicou que a alimentação do gado não compete com a humana. Afirmando que é preciso quebrar paradigmas e ajustar o debate global que culpa a vacas pelas mudanças climática pereira disse que o leite e carne são alimentos de elevada densidade nutricional. Alimentos à base de vegetais, que se colocam como sucedâneos dos produtos de origem animal possuem mais calorias e menos nutrientes: “Produtos vegetais que imitam carne e leite não possuem o mesmo valor nutritivo”, afirma o pesquisador.

O workshop teve sequência com a exposição do plano de mitigação de emissão de carbono e sustentabilidade da Nestlé, Danone e Unium (formado pelas indústrias Capal, Castrolanda e Frisia). Durante a COP 26, o Brasil apresentou um modelo de agronegócio tecnológico e limpo, baseado na ciência e na inovação. Segundo o presidente da Embrapa, Celso Moretti, que esteve presenta à COP, “a meta do Brasil de se tornar uma economia neutra em carbono até 2050 será atingida com a participação muito forte do agro brasileiro”. Pelo que demonstraram os representantes das unidades da Embrapa que pesquisam a pecuária de leite durante o workshop da Viva Lácteos, o leite carbono neutro é um objetivo factível.”

agroendia.com.br 14/12/2021

 

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