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Etanol de milho é exemplo de sistema integrado de produção de alimento e energia

Etanol de milho é exemplo de sistema integrado de produção de alimento e energia


A cadeia produtiva do etanol de milho, com adesão à agenda verde, se alinha perfeitamente à nova ordem econômica, com produção altamente sustentável

Muito se discute hoje sobre um novo mercado para produtos agrícolas, movimentando a economia mundial com redução de impactos ao meio ambiente. O conceito de integração do agronegócio à sustentabilidade já é fato, e, há tempos, saiu do plano das ideias para se tornar uma realidade. A nova ordem econômica propõe um modelo de desenvolvimento que leve em conta segurança nutricional, planejamento do uso da terra, estratégia para a diminuição da pobreza e mercado ativo para produtos agrícolas, com plena adesão à agenda verde. A cadeia produtiva do etanol de milho se alinha perfeitamente a essa proposta uma vez que está estruturada num sistema integrado de produção de alimento e energia, altamente sustentável.

Para falar mais detalhadamente sobre esse assunto, conversamos com Daniel Costa Lopes, vice-presidente executivo de Sustentabilidade e Novos Negócios da FS – primeira indústria de etanol do Brasil que utiliza milho em 100% da produção.

“A adesão à agenda verde se tornou imperativa para a economia mundial, que mira na transição da matriz energética baseada na produção circular de energia e uso de tecnologias limpas e sustentáveis. Há um movimento global que busca valorar e unificar os mercados de carbono como ferramentas para precificar as emissões e impulsionar o investimento público e privado para a transição energética. Nesse contexto, os biocombustíveis contribuem para o cumprimento dos acordos assinados pelo Brasil junto à comunidade internacional e, sobretudo, se apresentam como uma oportunidade de desenvolvimento socioeconômico para o país”, diz Daniel, que também ocupa o cargo de presidente do Comitê de Sustentabilidade na indústria FS.

Etanol de milho: produção e tecnologia

Estudos mostram que o Brasil pode se tornar não somente um grande fornecedor mundial de etanol, mas principalmente de tecnologia, considerando fontes como milho e bagaço, além da cana. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que a produção de etanol deverá crescer 35% até 2029. E o milho é o grande impulsionador deste crescimento.

A produção de etanol de milho saltou de 37 milhões de litros na safra de 2013/2014 para uma projeção de 4,2 bilhões de litros na safra 2022/2023. E a expectativa é atingir a marca de 10 bilhões de litros em 2030/2031. Na safra 2022, a oferta de milho no país poderá atingir 124,185 milhões de toneladas, de acordo com a consultoria Safras & Mercado, um acréscimo de 23% em relação à temporada 2021. Já o consumo total deve chegar a 114,557 milhões de toneladas, superando as 96,941 milhões de toneladas da temporada anterior.

“É nesta conjuntura que o milho, como matéria-prima para a produção do biocombustível, vem se consolidando no mercado nacional. A expansão do segmento de etanol de milho no Brasil, que começou há cerca de 5 anos, é contínua, com o surgimento de novas plantas dedicadas exclusivamente à geração de etanol por meio do cereal (full) ou a ampliação daquelas que processam cana-de-açúcar, mas usam o milho na entressafra (flex)”, pontua Daniel Costa Lopes.

FS e os valores da economia verde

Primeira usina de etanol brasileira que utiliza milho em 100% de sua produção, a FS, que iniciou sua operação em 2017, traz em seu DNA os valores da economia verde. Num ciclo fechado, a companhia tem como atividade principal o etanol, mas também desenvolve produtos para nutrição animal, produz óleo de milho e gera bioenergia, comercializando o excedente.

A produção inicial de 280 milhões de litros saltou para 1,40 bilhão de litros em cinco anos. “Nossa missão é expandir para novas fronteiras o fornecimento de energia e alimentos de modo escalável e sustentável com excelência e agilidade na execução, tendo como visão nos tornarmos o maior produtor de combustível carbono negativo do mundo”, diz o vice-presidente.

A terceira unidade da empresa, localizada em Primavera do Leste (MT), está em construção. A planta vai gerar uma média de 8 mil empregos indiretos durante as obras e 500 empregos diretos e indiretos quando estiver operando. A inauguração está prevista para 2023 e a capacidade total de produção será de 585 milhões de litros de etanol/ano. O investimento é de aproximadamente R$ 2,3 bilhões.

Os planos de expansão da empresa incluem ainda outras três unidades industriais no estado do Mato Grosso, o que a fará atingir a marca de capacidade produtiva de 5 bilhões de litros de etanol por ano, aproximadamente.

Daniel ainda firma que é indiscutível que a consolidação do segmento de etanol de milho trouxe vários benefícios para o Brasil. “O primeiro deles foi o estímulo da produção de milho no centro-oeste do país, que promoveu o desenvolvimento na região. Importante destacar também que a produção de etanol de milho da FS é resultado da plantação de milho de segunda safra, o que torna esse biocombustível ainda mais sustentável, uma vez que se maximiza o uso de áreas agrícolas já abertas.”

E continua: “Além disso, o milho garante produção durante 355 dias do ano. Com a armazenagem do cereal conseguimos produzir etanol em períodos que não teríamos combustível se dependêssemos só da cana. Ou seja, o milho é o complemento perfeito para a cana na matriz de combustíveis, pois permite ao consumidor ter etanol na bomba o ano todo.”

Daniel lembra que, além do combustível, as usinas desenvolvem produtos para a nutrição animal e promovem cogeração de energia, com a venda dos excedentes. Para completar, as cinzas geradas no processo produtivo são misturadas com dejetos de aves e se transformam em adubo orgânico que volta para o campo como um fertilizante orgânico.

O futuro

Ainda segundo Daniel Lopes, segundo artigo assinado por ele, programas e mecanismos para venda e compra de créditos de carbono, como o instituído no Brasil pelo RenovaBio, são eficientes para motivar o investimento na redução de emissões e sequestro de carbono. Esse tipo de mercado está mais amadurecido na Europa, Estados Unidos, e outros países.

Instituições alinhadas à Agenda 2030 devem seguir essa tendência, estabelecendo legislações para incentivar a descarbonização da economia. Nesse cenário, a FS trabalha para ter um papel cada vez mais relevante, ampliando a sua capacidade de geração de créditos de carbono.

A produção de etanol de suas indústrias, incluindo a terceira planta, em construção, podem evitar emissões de quase 3 milhões de toneladas de carbono por ano. Este número equivale a deixar de queimar 1,8 milhão de toneladas de carvão mineral. Trata-se de uma contribuição importante para o combate ao aquecimento global.

Cada vez que se usa um litro do etanol há uma redução de 80% de emissão de carbono, na comparação com a gasolina. Dentre as 220 usinas de etanol do Brasil, a planta de Lucas do Rio Verde, da FS, está em primeiro lugar (em consulta pública) em termos de pegada de carbono, com uma intensidade de carbono de 17 gCO2/MJ.

“O mundo todo aposta na eletrificação dos carros. Porém, o Brasil já tem um combustível verde, estabelecido em escala, com carros prontos para serem abastecidos. E por isso caminhamos para uma matriz energética brasileira cada vez mais sustentável, seja com o uso de carros flex, híbridos ou elétricos com células de combustível alimentadas por etanol. O etanol de milho faz parte dessa história, pois permite a geração de combustível renovável em um sistema integrado à produção de alimentos, proporcionando ganhos ambientais, sociais e econômicos”, finaliza.

Sobre a FS

A FS possui hoje duas unidades, uma em Lucas do Rio Verde e outra em Sorriso, no Mato Grosso. A empresa tem capacidade para produzir cerca de 1,5 bilhão de litros de etanol por ano. Conta com tecnologia de ponta para a fabricação de produtos para nutrição animal, conhecidos pela sigla DDG (Dried?Distillers?Grains), óleo de milho e?bioeletricidade. Recentemente, a companhia anunciou a construção de sua terceira unidade, localizada em Primavera do Leste?(MT), com investimento previsto de R$ 2,3 bilhões e que elevará sua capacidade total para 2 bilhões de litros de etanol/ano.

A FS prioriza e investe constantemente na sustentabilidade e com os objetivos de consolidar a agenda de desenvolvimento sustentável e de fortalecer seus compromissos de longo prazo com a sociedade, passou a adotar um conjunto de ações que estabeleceu em seis compromissos de longo prazo (até 2023), criados em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Acordo de Paris. Como uma dessas ações, estuda a implementação do sistema BECCS – Bioenergy with carbono capture and storage (Bioenergia com captura e estocagem de carbono), que pode torná-la uma das principais empresas do mundo e a primeira do?RenovaBio?a ter uma pegada negativa de carbono.

 

Daniel Lopes é responsável pelos negócios de Utilidades (que inclui aquisição de biomassa, geração e comercialização de energia), Sustentabilidade, Relações Institucionais, Comunicação e Novos Negócios.  Antes de ingressar na FS, trabalhou por três anos em investidas de private equity, tais como a Omega Energia (Tarpon), como diretor financeiro e de investimentos, e a Magnesita (GP). Ele é mestre e bacharel em Economia pela UFRGS e possui MBA pelo INSEAD, obtido em 2011.

Fonte: Redação MAB, com informações da FS

mundoagrobrasil.com.br 23/06/2022

 

 

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