Qual o período mais sensível da soja ao mofo-branco?
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O mofo-branco, causado pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum é uma das principais doenças que acometem a soja, expressando seus sintomas especialmente no final do ciclo da cultura. Ainda que varie em função da suscetibilidade da cultivar e severidade da infecção, as perdas de produtividade em decorrência do mofo-branco podem chegar a 70%. O fungo está distribuído em praticamente todas as regiões do Brasil, presente em aproximadamente 28% das áreas de produção de soja (Meyer et al., 2020).
A principais forma de distribuição da doença é por meio da dispersão dos escleródios, compreendidos como estruturas reprodutivas do fungo, que podem permanecer viáveis por longos períodos no solo (figura 1). Sob condições adequadas (alta umidade e temperaturas entre 10°C e 21°C) esses escleródios germinam, dando origem a novos fluxos do mofo-branco. Sementes infectadas e plantas hospedeiras estão entre as principais causas da sobrevivência do patógeno e dispersão dos escleródios.
Figura 1. Escleródios de Sclerotinia sclerotiorum sobre o solo logo após a colheita em uma área atacada pelo mofo branco.
A doença é considerada monocíclica, ou seja, apresenta apenas um ciclo durante o desenvolvimento da cultura, mesmo assim, o cultivo de espécies hospedeiras contribui para a manutenção da doença em áreas agrícolas. Além disso, é possível que haja a transmissão da doença por sementes infectadas, a transmissão por semente pode ocorrer tanto por meio do micélio dormente (interno) quanto de esclerócios misturados às sementes (Soares et al., 2023).
Dentre as principais medidas de controle do mofo-branco, destaca-se o tratamento de sementes de soja com fungicidas contato e benzimidazóis, o uso de sementes de qualidade, livres de escleródios, a rotação de culturas com espécies não hospedeiras e a aplicação de fungicidas durante o período crítico de ocorrência da doença, de forma estratégica e eficiente, empregando fungicidas de maior performance para o controle do mofo-branco.
Período crítico
A fase mais vulnerável da soja ao mofo-branco vai do estádio da floração plena ao início da formação das vagens, nesse sentido, a aplicação de fungicidas no início do florescimento e durante a floração é essencial para reduzir a severidade da doença em áreas infestadas (Soares, et al., 2023). Em áreas com histórico de ocorrência da doença, deve-se intensificar o manejo durante esse período. Em especial sob condições adequadas ao desenvolvimento do mofo branco (alta umidade e temperaturas amenas), deve-se, reduzir o intervalo entre aplicações para 7 a 10 dias, evitando reinfestações da doença. Alternativas de manejo como aumentar o volume de calda para cobertura do dossel inferior da planta também contribuem para um melhor controle do mofo-branco.
Figura 2. Sintomas típicos de mofo-branco em soja.
Com relação a performance de fungicidas para o controle químico do mofo-branco, resultados dos ensaios cooperativos realizados pela Embrapa na safra 2024/2025 indicam que melhores níveis de controle forma observados com o uso de fluopiram (66%), seguido por fluazinam (54%), procimidona e picoxistrobina, ambos com 52% de controle (Mayer et al., 2025).
agro.mt 08/01/2026
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