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Pragas, armazenagem e logística desafiam competitividade da soja brasileira

Pragas, armazenagem e logística desafiam competitividade da soja brasileira

Debates na Reunião de Pesquisa de Soja destacam exigências fitossanitárias da China, controles nas unidades armazenadoras e gargalos de infraestrutura que impactam as exportações.

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O controle de pragas quarentenárias, os desafios enfrentados pelas unidades armazenadoras e as limitações da infraestrutura logística estiveram entre os principais temas discutidos durante o painel de pós-colheita da Reunião de Pesquisa de Soja (RPS), realizado na última semana em Londrina, no Paraná.

Foto: Divulgação/Embrapa Soja

As discussões evidenciaram que a competitividade da soja brasileira não depende apenas do desempenho dentro da porteira, mas também da capacidade de atender exigências fitossanitárias internacionais e garantir eficiência no armazenamento e no escoamento da produção.

Representando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Fátima Parizzi destacou as ações que vêm sendo desenvolvidas para atender às exigências impostas pela China, principal destino das exportações brasileiras de soja e milho.

Segundo ela, a cadeia produtiva tem intensificado esforços para reduzir riscos relacionados à presença de pragas quarentenárias nos carregamentos destinados ao mercado chinês. Entre as medidas adotadas estão a elaboração de materiais de identificação de pragas, a capacitação dos agentes envolvidos no processo e o reforço dos procedimentos de controle em todas as etapas da cadeia.

Os cuidados abrangem desde a coleta de amostras e classificação dos grãos até a armazenagem e a expedição das

Foto: Divulgação/Embrapa Soja

cargas. “O objetivo é garantir que os produtos exportados atendam aos requisitos fitossanitários exigidos pelos mercados internacionais, evitando problemas e rejeições nos portos de destino”, enfatizou.

Embora a legislação chinesa contemple uma extensa lista de organismos quarentenários, o foco das ações está concentrado em 11 espécies oficialmente reconhecidas pela China e presentes no território brasileiro.

Segundo Fátima, o enfrentamento do problema deve começar ainda no campo, por meio do manejo adequado das lavouras durante todo o ciclo produtivo. “O controle dessas pragas deve começar ainda no plantio, com manejo adequado ao longo do ciclo da cultura, reduzindo a infestação e os impactos na produtividade das lavouras”, salientou.

Ela informou ainda que está em fase final de elaboração uma proposta que será encaminhada ao Ministério da Agricultura para subsidiar futuras negociações com as autoridades chinesas. O documento deverá abordar procedimentos operacionais e critérios de tolerância para a presença de pragas nos lotes destinados à exportação.

Foto: Divulgação/Embrapa Soja

Para a representante das entidades exportadoras, um dos principais avanços observados nos últimos anos foi o engajamento dos diferentes elos da cadeia produtiva em torno do tema. “Um dos avanços mais importantes é a mobilização de toda a cadeia produtiva em torno do tema, para fortalecer as negociações e garantir maior segurança às exportações brasileiras”, frisou.

Armazenagem reforça controles para evitar rejeições

A necessidade de rigor fitossanitário também tem exigido mudanças na rotina das unidades armazenadoras.

Representando a Caramuru Alimentos, José Ronaldo Quirino apresentou um panorama dos procedimentos adotados para reduzir riscos de contaminação e evitar devoluções de cargas nos mercados compradores.

Segundo ele, o controle começa ainda no recebimento dos grãos, quando são realizadas a identificação das cargas e a

Foto: Divulgação/Embrapa Soja

avaliação do risco relacionado à presença de sementes ou materiais considerados quarentenários. “Dependendo do nível de infestação encontrado, algumas cargas chegam a ser recusadas”, explicou.

Após a recepção, as unidades mantêm monitoramento contínuo dos grãos armazenados para identificar possíveis focos de contaminação e definir a composição dos lotes destinados à exportação.

O objetivo é minimizar riscos comerciais e assegurar o atendimento às exigências dos países importadores.

Infraestrutura segue como desafio para o setor

Além das questões fitossanitárias, o painel também abordou os desafios logísticos enfrentados pela cadeia da soja.

Foto: Divulgação/Embrapa Soja

O tema foi apresentado por Edenilson Oliveira, da Coamo, que destacou avanços recentes na infraestrutura portuária brasileira, mas alertou para a necessidade de ampliar investimentos em transporte ferroviário.

Segundo ele, projetos em andamento no Porto de Paranaguá devem aumentar a capacidade de movimentação de grãos e reduzir gargalos históricos no principal corredor de exportação do Sul do país.

Apesar disso, Oliveira avalia que a dependência excessiva do transporte rodoviário continua sendo um dos principais entraves para a competitividade do agronegócio brasileiro.

Entre as preocupações do setor está o processo de renovação da concessão da Malha Sul ferroviária, considerado estratégico para a definição dos investimentos que serão realizados nas próximas décadas. “A preocupação é que, sem investimentos mais robustos em ferrovias, o transporte rodoviário continue sobrecarregado, elevando custos e limitando o potencial de expansão do agronegócio nacional”, afirmou.

Para o representante da cooperativa, o debate sobre a infraestrutura ferroviária do Sul do Brasil ocorre em um

Foto: Divulgação/Embrapa Soja

momento decisivo, especialmente diante das discussões sobre renovação das concessões e definição de novos projetos. “Penso ser necessário pensar o sistema de forma integrada, ampliando as alternativas de transporte para as regiões produtoras e reduzindo a forte dependência do transporte rodoviário”, pontuou.

Planejamento de longo prazo

Na avaliação de Oliveira, a solução dos gargalos logísticos exige uma estratégia que vá além das concessionárias e envolva participação ativa do poder público. “O planejamento precisa considerar horizontes de 10, 20 ou até 50 anos, garantindo que a infraestrutura acompanhe o crescimento da produção agrícola e preserve a competitividade do Brasil nos mercados internacionais”, ressaltou.

As discussões realizadas durante a RPS reforçaram que os desafios da pós-colheita vão além da armazenagem dos grãos. O atendimento às exigências fitossanitárias dos mercados compradores, a gestão dos riscos dentro das unidades armazenadoras e a necessidade de investimentos em infraestrutura permanecem entre os fatores que influenciam diretamente a competitividade da soja brasileira no comércio internacional.

 

Fonte: O Presente Rural

18/06/2026

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