Brasil acelera uso de aditivos naturais na nutrição animal e reforça transição global sem antibióticos promotores de crescimento
Nova portaria do MAPA impulsiona adoção de leveduras, probióticos e soluções naturais na produção animal; setor busca mais eficiência, sanidade intestinal e competitividade nas exportações de proteína.
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O Brasil avança na consolidação de um novo modelo de produção animal alinhado às tendências globais de redução do uso de antibióticos promotores de crescimento (AGPs). A publicação da Portaria SDA/MAPA nº 1.617 reforça a transição do setor para sistemas mais sustentáveis, com foco em saúde intestinal, imunonutrição e equilíbrio da microbiota dos animais.
Segundo especialistas do setor de nutrição animal, a medida marca uma mudança estrutural na pecuária brasileira, ampliando a importância de estratégias sanitárias e nutricionais mais modernas.
“Definitivamente, essa decisão marca uma nova fase para a produção animal no Brasil, com valorização do manejo sanitário, biossegurança, controle da microbiota intestinal, imunonutrição, manutenção da saúde gastrointestinal e estabilidade da fermentação ruminal em bovinos”, afirma Fernando Braga, gerente global de marketing da ICC Nutrição Animal.
Transição regulatória e impacto no comércio internacional
A iniciativa do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) está alinhada ao movimento internacional de restrição ao uso de antibióticos na produção animal. No entanto, o cenário regulatório também traz desafios para o comércio exterior.
A União Europeia (UE) sinalizou a suspensão da compra de alimentos de origem animal do Brasil a partir de setembro, alegando ausência de informações suficientes para comprovar o atendimento integral às exigências sobre uso de antimicrobianos.
O governo brasileiro trabalha para reverter a decisão e demonstrar a efetividade das práticas adotadas no país, especialmente em um mercado estratégico que, em 2025, gerou cerca de US$ 1,8 bilhão em exportações de proteína animal para o bloco europeu.
Adoção de tecnologias naturais ganha força no campo
Com o avanço das restrições aos AGPs, cresce a demanda por soluções naturais na nutrição animal. Entre as principais alternativas estão o uso de leveduras, probióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e nucleotídeos, que auxiliam na manutenção da saúde intestinal, no equilíbrio da microbiota e na resposta imunológica dos animais.
Na avaliação de especialistas, essas tecnologias passam a ter papel central na manutenção da produtividade em sistemas mais restritivos.
“Em ruminantes, a restrição ao uso de antimicrobianos como promotores de crescimento torna as estratégias de controle do pH do rúmen ainda mais importantes. O produtor precisa ficar mais atento à alimentação animal para conseguir balancear crescimento com saúde intestinal, digestibilidade e modulação do sistema imune”, explica William Reis, gerente de produtos para ruminantes da ICC Nutrição Animal.
Integração de aditivos amplia eficiência produtiva
A combinação entre diferentes aditivos naturais também ganha destaque como estratégia para melhorar o desempenho zootécnico.
Segundo Gustavo Aguiar, especialista em monogástricos da ICC Nutrição Animal, o uso integrado dessas soluções potencializa os resultados produtivos.
“Nossos produtos têm potencial sinérgico com diversos aditivos, como probióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais e nucleotídeos, ampliando a capacidade de suporte à saúde intestinal e contribuindo para melhor desempenho em diferentes espécies e desafios produtivos”, destaca.
Leveduras ganham protagonismo na produção animal moderna
Entre as soluções destacadas pelo setor está a linha de produtos naturais à base de levedura desenvolvida pela ICC Nutrição Animal, com tecnologias voltadas para diferentes espécies.
O ImmunoWall atua na prevenção da colonização do trato intestinal por patógenos, estimula a atividade imunológica das células fagocíticas e favorece o crescimento de bactérias benéficas, como lactobacilos e bifidobactérias, contribuindo para o equilíbrio intestinal em aves e suínos.
Já o RumenYeast, indicado para ruminantes, atua tanto no rúmen quanto no intestino, auxiliando na digestibilidade da dieta, na integridade gastrointestinal e na resposta imunológica, com impacto direto na saúde, bem-estar e eficiência produtiva dos animais.
Perspectiva para o setor
A transição regulatória e tecnológica indica uma mudança estrutural na produção animal brasileira. Com o avanço das restrições aos antibióticos e o fortalecimento das exigências internacionais, o uso de soluções naturais tende a ganhar ainda mais espaço nas estratégias nutricionais, reforçando a competitividade do Brasil no mercado global de proteína animal.
Fonte: Portal do Agronegócio
10/07/2026
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