Certificação RTRS ganha valor comercial e abre novas oportunidades para produtores de soja sustentável
Selo internacional de soja responsável fortalece acesso a mercados exigentes, amplia rastreabilidade da produção e impulsiona projetos ligados ao crédito de carbono no agronegócio brasileiro.
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A sustentabilidade deixou de ser apenas uma exigência ambiental e passou a representar um diferencial comercial estratégico para o agronegócio. No setor de sementes de soja, a certificação da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) vem se consolidando como um importante ativo para produtores e empresas que buscam acesso a mercados mais exigentes, maior organização produtiva e valorização da cadeia.
Além de comprovar práticas relacionadas à preservação ambiental, responsabilidade social e conformidade trabalhista, o selo RTRS começa a ganhar relevância como ferramenta de competitividade, especialmente em um cenário de expansão do mercado de créditos de carbono e aumento da demanda por produtos rastreáveis.
Certificação RTRS fortalece produtores e propriedades rurais
Um dos exemplos desse avanço está no Clube Amigos da Terra (CAT), organização criada em 2003 e sediada em Sorriso (MT), que iniciou sua parceria com a RTRS em 2013.
Segundo a presidente da entidade, Márcia Becker Paiva, o processo começou com nove propriedades certificadas e cresceu gradualmente conforme os produtores perceberam os benefícios da adequação aos critérios internacionais.
Atualmente, o grupo reúne 58 propriedades certificadas, que representam mais de 680 mil hectares de soja com o selo RTRS.
A certificação contribuiu para mudanças estruturais dentro das fazendas, com avanços na gestão, valorização dos colaboradores, organização documental e adoção de práticas ambientais mais eficientes.
Para a presidente do CAT, o processo mostrou que é possível ampliar a produção agrícola em larga escala mantendo o compromisso com a conservação dos recursos naturais.
Selo RTRS amplia competitividade da soja brasileira
Em Mato Grosso, uma das principais regiões produtoras de soja do mundo, empresas de sementes também estão avançando nesse movimento.
A Petrovina Sementes conquistou recentemente a certificação RTRS após passar por auditorias que avaliaram toda a cadeia produtiva, incluindo critérios como:
- desmatamento zero;
- cumprimento da legislação ambiental;
- respeito às normas trabalhistas;
- conservação dos recursos naturais;
- boas práticas de gestão agrícola.
O coordenador de Saúde, Segurança e Meio Ambiente e responsável pelo setor de certificação e sustentabilidade da empresa, Tiago Rodrigues de Souza, explica que o processo iniciado em 2023 trouxe benefícios que vão além da sustentabilidade.
Segundo ele, a certificação também promove ganhos organizacionais, auxiliando as propriedades no atendimento às exigências regulatórias e aumentando a confiabilidade do produto no mercado.
Crédito de carbono transforma sustentabilidade em oportunidade econômica
Um dos principais diferenciais associados à certificação RTRS é a possibilidade de integração com o mercado de créditos de carbono.
De acordo com Tiago Rodrigues, a certificação já permitiu à empresa acessar mecanismos financeiros ligados à sustentabilidade, criando novas oportunidades de valorização da produção.
O executivo destaca que o selo também influencia diretamente as negociações comerciais. Em operações envolvendo grandes compradores e tradings, a certificação RTRS passou a ser um dos critérios considerados para definir vantagens competitivas.
A rastreabilidade e a comprovação de práticas sustentáveis aumentam a confiança dos compradores e fortalecem a posição da soja brasileira no mercado internacional.
Petrovina lança semente de soja carbono zero
Como parte da estratégia de sustentabilidade, a Petrovina Sementes desenvolveu a Primepro Eco, apresentada como a primeira linha de sementes de soja carbono zero do mundo.
O projeto envolve todas as cultivares do portfólio da empresa e tem como objetivo neutralizar as emissões geradas durante o ciclo produtivo.
O coordenador de Tecnologia Agrícola e responsável pelo inventário de carbono, Pedro Mokfa, explica que o processo considera todas as etapas da produção, desde o plantio até o transporte.
A metodologia inclui:
- levantamento das emissões de máquinas agrícolas;
- consumo de energia elétrica;
- uso de fertilizantes nitrogenados;
- operação da unidade de beneficiamento de sementes;
- transporte e armazenamento.
Após o cálculo da emissão total de gases de efeito estufa, a empresa realiza a compensação por meio da aquisição de créditos de carbono.
Inventário de carbono identifica emissões da cadeia produtiva
Dentro da operação da Petrovina Sementes, foram mapeadas diversas fontes de emissão de CO2, incluindo tratores, caminhões, processos industriais e atividades agrícolas.
No último levantamento realizado pela empresa, a operação completa gerou aproximadamente 30 mil toneladas de CO2.
O inventário considerou o ciclo completo da soja destinada à produção de sementes, envolvendo:
- recebimento do produto;
- plantio;
- pulverização;
- colheita;
- transporte;
- armazenamento.
A análise apontou uma emissão média de aproximadamente 300 quilos de CO2 por tonelada de sementes produzidas.
Com esses dados, a empresa buscou projetos certificados de carbono, optando por iniciativas de conservação florestal na Amazônia Legal para realizar a compensação das emissões.
Sustentabilidade se transforma em diferencial para o agronegócio
A certificação RTRS e os projetos de descarbonização mostram uma nova realidade para o agronegócio brasileiro: sustentabilidade e competitividade caminham cada vez mais juntas.
Para produtores e empresas do setor de sementes, atender padrões internacionais representa não apenas uma adequação ambiental, mas uma oportunidade de agregar valor, conquistar novos mercados e fortalecer a imagem da produção brasileira no cenário global.
Com consumidores, tradings e investidores aumentando a demanda por cadeias produtivas transparentes e responsáveis, certificações como a RTRS tendem a ganhar ainda mais importância na estratégia comercial do agronegócio.
Fonte: Portal do Agronegócio
14/07/2026
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