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COP30 deve marcar virada histórica nas negociações climáticas

COP30 deve marcar virada histórica nas negociações climáticas

Negociadora-chefe Liliam Chagas destaca quatro pilares que tornam a Conferência liderada pelo Brasil uma oportunidade única para acelerar a ação global contra as mudanças do clima

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A Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada em Belém (PA) em 2025, promete ser um marco decisivo no cenário climático global. Pela primeira vez sediado na Amazônia, o evento pode inaugurar uma nova era nas negociações ambientais, impulsionando a implementação prática dos compromissos já firmados em conferências anteriores.

Quem afirma isso é Liliam Chagas, negociadora-chefe da COP30. Em entrevista exclusiva, ela explica que esta edição terá quatro pilares principais: as negociações formais entre países, uma agenda de ação que envolve o setor privado e a academia, a cúpula de chefes de Estado e uma inédita mobilização pública. A expectativa é que a COP no Brasil vá além dos discursos e resulte em decisões concretas.

“A COP30 é o momento de sair do papel. Estamos falando de uma virada na forma como o mundo lida com o clima: da negociação para a implementação”, afirma Chagas. A conferência deve consolidar o Brasil como protagonista climático, não apenas pela escolha da cidade-sede, mas pelo esforço diplomático e pela liderança em temas como justiça climática, financiamento e tecnologia.

Quatro eixos que sustentam o encontro

O primeiro eixo da COP30 é o mais tradicional: as negociações entre representantes dos países-membros da ONU. É nesse espaço que são debatidos os compromissos formais para reduzir emissões e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. O segundo pilar é a chamada “agenda de ação”, que envolve empresas, universidades, cientistas e outros atores da sociedade civil.

A terceira dimensão será a cúpula de chefes de Estado. “Essa reunião deve contar com os principais líderes mundiais no Brasil, o que amplia a relevância política da conferência”, explica Chagas. Já o quarto pilar é uma inovação: uma agenda de mobilização pública, voltada à conscientização da população sobre o impacto das mudanças climáticas no dia a dia e sobre o papel de cada cidadão nesse esforço global.

Essas quatro frentes representam, segundo a negociadora, uma nova abordagem para alcançar resultados mais práticos e efetivos. “Estamos chamando de a COP da virada, porque é hora de transformar acordos em ações concretas. O mundo precisa sair da fase de combinar o que fazer e começar a fazer de fato”, destaca.

 

A força do conceito de mutirão

Um dos conceitos centrais da COP 30 é o de “mutirão”, uma palavra que vem do tupi-guarani e simboliza trabalho coletivo. A ideia é que ninguém conseguirá resolver a crise climática sozinho. Países, empresas e cidadãos precisam colaborar. O termo foi adotado como símbolo da proposta brasileira para o evento e já aparece na carta-convite divulgada pelo presidente da COP, o embaixador André Corrêa do Lago.

“O mutirão representa o espírito da conferência: união de forças para cumprir uma tarefa urgente e coletiva. Estamos propondo que esse seja o tom da COP30: colaboração, parceria e ação conjunta”, diz Liliam. A inspiração indígena não é por acaso. Ao realizar a conferência em Belém, o Brasil também chama atenção para o papel da Amazônia e dos povos originários na luta climática.

Além disso, será criado o Círculo das Presidências, um conselho que reunirá representantes das COPs anteriores — da COP 21, que firmou o Acordo de Paris, até a COP 29, realizada no Azerbaijão em 2023. Esse grupo será responsável por assessorar as decisões da COP30 ao longo do ano, garantindo continuidade e coerência nas propostas.

Caminho para o financiamento trilionário

Outro ponto essencial da conferência será o financiamento climático. Segundo Liliam Chagas, é preciso criar caminhos para que os recursos destinados à ação climática cresçam significativamente. “Estamos falando em trilhões de dólares, não mais bilhões. A COP 30 precisa mostrar como vamos alavancar esses recursos para ações concretas em todos os setores da economia”, afirma.

O objetivo é dar sequência ao mandato da COP29, que estabeleceu a meta de alcançar US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático. Brasil e Azerbaijão vão liderar esse processo ao longo de 2025, com foco em identificar fontes e mecanismos que permitam atingir essa meta ambiciosa.

Para países em desenvolvimento, o acesso a recursos é condição essencial para implementar políticas ambientais, desenvolver tecnologias limpas e enfrentar os efeitos das mudanças do clima, como secas, enchentes e eventos extremos. Sem dinheiro, a transição para um modelo sustentável fica apenas no discurso.

Assista na íntegra a entrevista com a embaixadora e negociadora-chefe da COP30, Lilian Chagas
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